
O amor chega e sobra. Enche nos e esvazia nos. Ultrapassa-nos e faz recuarmos. O amor é mais que tudo, é uma força estranha que nos faz seguir em frente e que nos prende os passos. Preenche nos e pode desfazer-nos em pedaços, aperta nos em abraços.
O amor é plural. Sou eu e tu, somos nós, eles e outros.
Quem não ama não vive. Não pode viver … nem mesmo sobreviver. O amor não pode ser indiferente, não tem meio-termo, não tem espaço para o “assim-assim” nem para o talvez. Quando se ama de verdade. È tudo ou nada. È uma certeza, uma descontrolada certeza. O amor é incondicional. Não se questiona. Não se justifica. Não se testa. O amor existe porque está lá, porque nos persegue, amarra, sufoca, liberta.
Só se ama irracionalmente o amor não pode ser pensado. Não obedece aos nossos pensamentos, ás nossas vontades racionais. O amor é o cúmulo da emoção. È a chama que nos acende o coração, que ateia os nossos sentidos. Ele prova nos. Ele toca nos. Ele vê nos. Ele cheira nos, inspira nos, expira nos. Ele ouve nos. Ele cala nos e pode fazer nos gritar. O amor consome. Consome nos. Enlouquece nos, magoa nos, derruba nos.
Mas também nos aquece, nos fortalece, nos empurra para a felicidade. O amor é uma sombra, tem de ser.
O amor não se esgota. Pode desvanecer, pode transformar se mas nunca acaba. È imortal e infinito. Corre nas nossas veias, está colado á pele, aos cabelos, ilumina e a apaga o olhar. Aumenta e diminui a temperatura do corpo. Varia mas não acaba. Amor é serenidade, paz, sossego e aconchego, é sabedoria.
Viver é amar e deixar ser amado, é sinceridade, grandiosidade e generosidade. É entrega. O amor não se discute. Sente se e consente se.
Não se planta nem se enterra. Tem de ser cuidado, acarinhado, alimentado… as palavras não chegam.
O amor nasce antes mesmo de nascer.

